A Biblioteca Escolar saúda todos os leitores com novos títulos de livros e DVD, já disponíveis para serem lidos e visualizados na BE ou para empréstimo domiciliário.
Convidamos a comunidade escolar a deslocar-se à BE e deliciar-se com as novidades.
Um salto qualitativo em 2012! Um salto de solidariedade, de humanismo... são os votos da Biblioteca Escolar para todos os leitores de facto e em devir.
Havia um espelho perto da saída e ele olhou-o distraidamente. Avançou mas depois voltou atrás. Ia apressado mas a imagem de si mesmo, por razões pouco claras, atraiu-o. Tratava-se de um velho mas um velho sempre ele fora, não era uma surpresa. Cabelo e barba brancos, a figura avolumada na barriga, as rugas, misto de bonomia e desidratação. O casaco vermelho com os seus debruns de pele clara parecia iluminar de uma luz própria o rosto sorridente. O que o chamara, então? Os olhos tristes. Os olhos mergulhados numa sombra. A cara estava como dividida por uma linha reta horizontal. Na metade de baixo desenhava-se o movimento da satisfação, com os cantos dos lábios ascendendo. A metade de cima descaía com um inesperado abatimento. (...)
Pegou no saco dos presentes, pô-lo ao ombro e alguma coisa lhe doeu. (...)
Hélia Correia, JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias
A época de Natal não se resume a um dia, mas amplifica-se desde a sua preparação (Advento) até à Epifania, Dia de Reis.
Por isso, aqui fica mais uma história. Esta é de Hélia Correia, ao JL, nº 1075, de dezembro de 2011.
A ilustração é de Afonso Cruz, que também escreveu um conto, mas com um final menos natalício e deveras surpreendente...
Todos os anos, quando os velhos Reis Magos acabam de atravessar a pequena estrada de areia que se esboça entre caminhos de musgo e lagos feitos de bocados de espelho partido; quando a estrela de prata que se suspende entre os dois exemplares de “A Paleta e o Mundo” de Mário Dionísio se recolhe para regressar à velha caixa de papelão, com trinta anos de viagens, cheia de bocados de jornal amachucados que ainda guardam notícias de dias que já foram e onde se embrulham os cordeirinhos, os pastores, as oferendas várias que o Menino Jesus recebeu, apesar de já lhe faltar a mãozinha direita que alguém partiu em excesso de limpeza; todos os anos, dizia, recordo a história que o Fernando Midões me contou, certa tarde em que misturámos poemas com lágrimas.
Faz frio. Aninhe-se na leitura.
Para ler histórias ou textos de reflexão sobre o Natal, aceda a este blogue: