Geral

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A CIRURGIA DA ADVOCACIA

Com ar sério, composto, cabelo pelos ombros, declarava solenemente no seu 10º ano: "Quero ser cirurgião plástico". Não médico de qualquer especialidade, mas determinadamente cirurgião plástico. Hoje é advogado.

Veio à Fernão Mendes Pinto contar como cabulava, como saltitou de disciplina em disciplina e fez três 12º anos! Mas valeu a pena. Estudou Geologia e Física antes de seguir Direito. Hoje reconhece que o seu percurso errante o ensinou a gostar da sua profissão e que "fez sentido ter estudado determinadas obras numa fase em que isso não fazia sentido, para lhes dar valor mais tarde". Foi o que lhe sucedeu com Aparição e Os Maias. Cabuladas uma primeira vez, tornaram-se mais tarde obras de referência que lhe ensinaram a filosofia existencialista ou a mestria queirosiana, tão atual na crítica social, em As Farpas, exemplificou.

O CHEIRO A TINTA

No Dia Nacional das Bibliotecas Escolares, João Pedro Correia, como era conhecido na escola, falou-nos das bibliotecas e da escola como lugar de experiência.

O cheiro a tinta e a papel e a arquitetura de um jornal são um fascínio que experimentou pela primeira vez na escola e que perdura até hoje. "Gosto do toque do papel e do cheiro da tinta", menciona no seu currículo este devorador de letras impressas e digitais, que não deixou de referir a importância dos "amigos para a vida" que a escola também proporciona, a par de muitos outros saberes complementares, inimagináveis quando se é aluno, mas que estendem horizontes quando, por exemplo, se é jornalista e se estudou Geologia.

O ÚTERO DE UM JORNALISTA

"Um dia disse ao professor Américo Jones que tinha umas fotos para o jornal da escola. Estão giras, sim, mas sem texto não posso publicar isso, respondeu. Fui para casa escrever e assim começou a minha carreira."

Jornalista na Rádio Renascença, repórter na Assembleia da República, com o pseudónimo profissional de João Pedro Vitória, foi no InforFernão que deu os primeiros passos como fotógrafo e redator. "Foi aqui que tudo começou, afirmou, e tenho de referir isso no meu currículo. Foi na Fernão Mendes Pinto."

O ADMIRÁVEL MUNDO DA FLORESTA

No mesmo registo do orador precedente, Bruno Caldeira referiu a mais-valia de ter frequentado a ESFMP, uma escola que sempre incluiu alunos pobres e ricos, de todos os estratos sociais e níveis culturais, o que lhe conferiu uma visão da realidade em nada equivalente à de pessoas que sempre viveram em colégios e universidades privadas.

A plasticidade do olhar deste engenheiro florestal constituiu o pano de fundo para a exortação dos mais novos à leitura: "Nunca a leitura foi tão importante como hoje".

UM ACADÉMICO DA MARGEM SUL

Admite existir ainda um pré-conceito em relação à margem sul, mas afirma: "Podes tirar um homem de Almada, mas não podes tirar Almada de um homem".
Durante o seu percurso académico, frequentou várias bibliotecas, pois sempre quis separar o lar do mundo do trabalho. "Para não conspurcar a casa com trabalho", explica Nuno Ferreira, economista, distinguido como o "Melhor Aluno da disciplina de Economia Internacional" pelo ISEG e pelo ICEP Portugal (Lisboa, 2002).