Já regressou das Berlengas a turma do 11º 2, que foi acompanhada pelos professores Ana Fraga e Raul Santos. Desta aventura que a Fernão proporciona aos seus estudantes desde 1988, fica o relato em cima da hora do Daniel Sil, delegado de turma, cujo papel na ajuda à coordenação foi determinante! Ficam também muitas fotos para se deliciarem...
"Segunda-feira, 4 de Abril, já passa das nove e meia quando o jantar é servido para pais, alunos e professores. É o último jantar antes da partida e o nervosismo sente-se entre todos aqueles que, nos três dias que se seguiriam, teriam com certeza uma das maiores experiências da sua vida académica...
O jantar passou depressa, chegava a altura de despedir dos pais, até quinta-feira... Uns dormiram a bordo, outros na casa do professor Raul, onde ainda se trabalhou até tarde na triagem dos resultados de um inquérito feito na escola...
Terça-feira amanheceu cedo demais, a noite anterior tinha acabado tarde pois a conversa entre todos estendeu-se durante horas, mas nem por isso faltou energia a alguém, tal era a vontade de embarcar, rumo à ilha de que se falava desde Setembro.
As horas no barco à espera da partida foram longas, o pão e a água tardavam em chegar, mas os acordes de guitarra de alguns e as fotografias que outros insistiam em tirar, ajudavam a passar o tempo que era enervante, fosse pelo medo de enjoar na viagem ou pela ansiedade de chegar ao destino.
O relógio marcava três e meia da tarde, o motor do barco começava a trabalhar, estava tudo pronto para a partida! Após quase 8 milhas percorridas num mar relativamente calmo mas que ainda deu para alguns enjoarem, a Berlenga saudava-nos no seu estado quase selvagem: à excepção dos faroleiros e do casal de guardas camarários, éramos os únicos humanos na ilha.
Sem qualquer tipo de electricidade ou água canalizada, o Forte de S. João Baptista esperava-nos, fechado desde Setembro.
Um cordão humano feito desde o cais até à entrada, colocou as bagagens no interior daquele que viria a ser o nosso “hotel”. E que pesadas estavam as mochilas!
Faltava agora tornar aquele espaço um local apropriado para dormir as duas noites que planeávamos lá passar. Havia vidros para varrer, salas e quartos fechados há meses para limpar e era preciso ir ao mar buscar água para os autoclismos. Sempre dois a dois, que a segurança a isso obrigava!
A distribuição de tarefas foi indispensável para que às nove e meia da noite já todos tivessem jantado e as limpezas concluídas. Apesar do cansaço, a noite foi longa e poucos foram os que quiseram dormir cedo.
Quarta-feira era dia de trabalhar (mais...), afinal aquilo era uma visita de estudo e não uns dias de férias antecipados. Saímos de manhã para o alto da ilha, subindo mais de trezentos degraus. Os grupos de trabalho estavam formados e após uma longa caminhada pela ilha na qual se observaram várias espécies de animais, plantas e líquenes e se contaram histórias de evolução, a hora de almoço chegou e alguns não deixaram passar a oportunidade de um mergulho, tal era o calor que se fazia sentir; outros preferiram uma sombra para saborear mais uma refeição à base de enlatados, panados e barrinhas.
De tarde, a observação de aves foi o ponto alto e, depois disso, era hora de pôr os pés ao caminho, rumo ao lado oposto da ilha para observar o pôr-do-sol num local mais privilegiado, junto ao “Caga-na-frança”.
Infelizmente, o nevoeiro estragou o momento e acabámos por regressar ao Forte ainda com a luz do sol.
Após o jantar, por volta das onze da noite, uma saída nocturna que nos obrigou a subir de novo os trezentos degraus para observar Pardelas, uma ave fabulosa que tem na Berlenga o seu limite norte de nidificação no globo. De regresso ao Forte, por volta das duas da manhã, foram poucos os que dormiram na última noite que tinham na ilha. Talvez procurassem o fantasma do Parreira, que teimava em não aparecer...
A quinta-feira amanheceu, era o último dia, mas faltava ainda uma aula sobre biodiversidade na zona de marés, que se realizou com sucesso (que o diga a holoturia), dentro da água que se pode descrever como... fria!
Era hora dos últimos mergulhos para de seguida almoçar e limpar todo o Forte, deixando-o num estado bem mais aceitável do que aquele em que o havíamos encontrado.
Tiravam-se as últimas fotografias, arrumavam-se as últimas coisas nas mochilas e o desejo de não querer regressar era comum a todos. O Julius chegou já depois das quatro da tarde e de novo o cordão humano funcionou na perfeição, com toda a bagagem a ser colocada dentro da embarcação em poucos minutos e o último adeus à ilha a ser feito já a bordo.
Quando chegámos a Peniche, os pais já nos aguardavam, certamente com algumas saudades. Agora era altura de partilhar com a família todos os momentos vividos naqueles dias intensos.
Foram três dias de trabalho, diversão e companheirismo, em que a camaradagem e o espírito de ajuda se fez sentir entre todos, tornando esta viagem inesquecível!
Por tudo, o 11º2 agradece aos professores Raul Santos e Ana Fraga a disponibilidade, a paciência e o espírito que adoptaram ao longo dos mais de três dias que passaram connosco e que fizeram desta uma das melhores (se não mesmo a melhor) visita de estudo que algum dos alunos da turma alguma vez pode ter." Daniel Sil