Biblioteca Escolar

Inéditos quase de Natal

A época de Natal não se resume a um dia, mas amplifica-se desde a sua preparação (Advento) até à Epifania, Dia de Reis.

Por isso, aqui fica mais uma história. Esta é de Hélia Correia, ao JL, nº 1075, de dezembro de 2011.

A ilustração é de Afonso Cruz, que também escreveu um conto, mas com um final menos natalício e deveras surpreendente...

Bolo Rei

Todos os anos, quando os velhos Reis Magos acabam de atravessar a pequena estrada de areia que se esboça entre caminhos de musgo e lagos feitos de bocados de espelho partido; quando a estrela de prata que se suspende entre os dois exemplares de “A Paleta e o Mundo” de Mário Dionísio se recolhe para regressar à velha caixa de papelão, com trinta anos de viagens, cheia de bocados de jornal amachucados que ainda guardam notícias de dias que já foram e onde se embrulham os cordeirinhos, os pastores, as oferendas várias que o Menino Jesus recebeu, apesar de já lhe faltar a mãozinha direita que alguém partiu em excesso de limpeza; todos os anos, dizia, recordo a história que o Fernando Midões me contou, certa tarde em que misturámos poemas com lágrimas.

O Pai Natal descansa do seu voo pelos céus

O Pai Natal
descansa do seu voo pelos céus.
Distribuídos os brinquedos,
aproveita o silêncio, tão cheio de paz,
para ler um bom livro. E tu?

Histórias e textos de reflexão sobre o Natal

Faz frio. Aninhe-se na leitura.

Para ler histórias ou textos de reflexão sobre o Natal, aceda a este blogue:

http://preparandonatal.wordpress.com

FELIZ NATAL!

"O artista testemunha, na experiência dos materiais, as formas da eterna procura."
                                         
        FRANCO, Joaquim et al., Um Menino chamado Natal, Princípia Ed.

António

 António é um amigo. Trabalha num restaurante à beira da estrada.
A história de António não é alegre. Porque não vos hei-de contar a história de um menino feliz? Uma história alegre?
Mas António está ali. Ali, no meio de todos nós. É criança e trabalha.
Tem o pai doente. Muitos irmãos.
A primeira vez que o vi foi num dia quente de Verão. Um calor de escaldar.
Comoveu-me a sua delicadeza. Um pouco gago e querendo, na sua gaguez, dizer tanta palavra amável, boa. Os olhos piscos a tremerem, passarinhos espantados.
Há quem se ria dos gagos. E, afinal, um susto que apanhássemos em criança, um modo mais delicado de olhar a vida podem dar-nos essas pausas na voz, essa distância entre a palavra que se vai dizer e o pensamento.
As pessoas que vão comer ao restaurante vão comer bem. Olham a ementa e não olham o António. Olham a conta e não olham o António.
E o António tem fome: não da comida do restaurante, mas de ternura, de palavras boas.

Um Natal aconchegante

Vêm aí as manhãs no quentinho dos cobertores, de olho aberto e penetrante nos livros que esperam por nós! São as férias de Natal, com muitos livros no sapatinho...e na Biblioteca Escolar.

Leve e leia e devolva em janeiro.

O Mistério está todo na infância

E, por fim, Deus regressa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
... humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder

Eis que Deus sobe a escada íngreme
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente

Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore

O mistério está todo na infância:
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura

Poema para Bento XVI de José Tolentino Mendonça, nomeado Consultor de Cultura no Vaticano

A SATISFAÇÃO DE LER

A adolescência é um terreno fértil para o crescimento humano, que pulsa de tantas e variadas formas. A leitura é uma delas, pelas portas que abre a novas áreas do saber. Essa foi a conclusão da conversa com o Ígor, que, com os seus maduros treze anos, começa a interessar-se pela psicologia e pelas doenças mentais.